Paraty Explorer
magna, ut accumsan quam pretium
vel. Duis ornare

Latest News
Follow Us
IR ATÉ
Alt Da Imagem

Paraty Explorer

Trilha aquática

Trilhas Aquáticas de Paraty!

Resgate cultural e histórico em defesa do meio ambiente e do território Caiçara.

As trilhas Aquáticas.

Para mim, remar começou sem pensar muito.

A princípio, desde quando vim morar na região da Costa Verde, ouvi falar de pessoas e suas canoas que navegavam distâncias incríveis e as vezes em mar agitado, para vender produtos cultivados nas roças e peixes secos.

Também compravam produtos difíceis de se encontrar na região naquela época, como sal, querosene e sabão sempre usando estas trilhas aquáticas.

Ilha Grande

Em primeiro lugar, morei na vila do Abraão na Ilha Grande e, morando em uma ilha, uma das diversas coisas que você precisa aprender é remar.

Foi, para mim, tão natural como andar de bicicleta.

Remava de caiaque; no bote para pegar e deixar a escuna; remava para pescar; ou quando o barco enguiçava, rebocava clientes em caiaques Sit On Top – só quem fez, sabe o que é (rsrsrs); remava canoa havaiana e remava por remar, para mim já eram minhas trilhas Aquáticas.

Era sempre, tem ou não tem nada para fazer, vai remar.

Do mesmo modo, após vir para Paraty, nada mudou.

Paraty

Primeiramente, morei em Paraty Mirim, na costeira, indo para o Saco do Mamanguá.

Tinha trilha até a praia, mas tinha também, caiaques, canoas, botes e veleiro. Claro que, na maioria dos dias, a opção era pelo mar e novamente, minha trilha aquática.

Ainda assim, quando mudei para a cidade de Paraty, continuei fazendo o que já tinha absorvido pelos poros: remando.

Do mesmo modo, segui trabalhando com caiaque e remando.

Foi quando e onde conheci meu amigo e sócio Michael Smith, que veio também guiar e rebocar os clientes pela baía de Paraty.

Nesse ínterim, a base da empresa que prestávamos serviço, tinha acesso fácil ao rio Pereque Açu, onde embarcávamos e desembarcávamos, mais uma trilha aquática.

Até o dia em que abandonamos o caiaque na praia do Jabaquara, depois de muitas remadas rebocando clientes.

A partir daí, Jabaquara passou a ser nossa base de caiaques.

Alugamos caiaques sit on top, pranchas de Stand Up Paddle, até conhecermos finalmente os caiaques oceânicos.

Na minha primeira experiência em caiaque oceânico, tive a certeza de que nunca mais remaria caiaque sit on top.   

Foi um amigo que me contou, na praia da Ponta Negra, dentro da Reserva da Juatinga, que era comum sair a remo até Paraty.

Viagem longa, tendo que atravessar a Ponta da Juatinga, local de fortes correntezas e, na maioria dos dias, com mar agitado. Super trilha aquática.

Imediatamente, comecei a me interessar muito pelo assunto.

Pesquisa

No primeiro momento, fascinado pela história de aventura, desafio e conhecimento da natureza – era preciso tudo isso junto para remar tal distância e com o mar em condições adversas, em uma canoa que parecia ser tão pequena e frágil.

Além disso, como conseguiam embarcar dezenas ou centenas de quilos, sem contar com o peso do remador ou remadores?

Não era fácil…

Num segundo momento, me dei conta que deveria ser uma vida muito difícil. Trabalhar a terra, plantar, manter, colher e processar, no caso do feitio da farinha de mandioca, e após este ciclo todo, fazer chegar ao mercado local a remo.

Dá para entender o tamanho da façanha?

Voltando à praia da Ponta Negra, era preciso remar com esta canoa pesada, por mais ou menos quatro dias, considerando ida e volta, para chegar à cidade de Paraty.

Vale destacar que, antes de 1970, não tinha estrada asfaltada em Paraty. Os produtos saíam e chegavam na balsa que vinha da região de Mangaratiba e  Sepetiba / RJ.

Da mesma forma, já não seria também a trilha aquática?

Os índios

Continuando as pesquisas, cheguei aos índios que moravam na região de Paraty.

De acordo com seu livro, que muitos encaram como fantasioso, outros um relato do Brasil quase que pré colonial, Hans Stadem – por volta de 1549 já descrevia bem o poder dos primeiros remadores da região.

Outros relatos dos que aqui vinham se aventurar atrás de riquezas, também falavam das mesmas canoas.

Com dezenas de nativos dentro de uma mesma canoa, remando tão rápido, que se o vento não estivesse forte, não conseguiam fugir. Dominavam completamente a floresta e o mar.

Profundos conhecedores na construção e navegação das canoas.

Canoa é, muitas das vezes, feita de um tronco inteiro de árvore.

No entanto, não é qualquer árvore que serve para canoa. Além disso, como tirar essa árvore da mata, transportar até a praia ou rio, e fazer a canoa? Quantos tentativas e erros até chegar à perfeição?

Árvores boas para canoa

Hoje sabemos que alguns tipos de árvores da nossa região, são perfeitas para o feitio da canoa, como exemplos:

Cedro, (Cedrela fissilis)

Timbuíba, (Balizia pedicellaris)

 Ingá amarelo, (Tachigali denudata)

Jequitibá, (Cariniana legalis),

Ingá flecha, (Inga sessilis),

Guapuruvu, (Schizolobium parahyba)

Figueira branca, (Ficus insipida).

Segundo o estudo de Márcia Regina Teixeira da Encarnação:

“Os homens dos sambaquis, nesta região, teriam constituído um grupo humano (…) adaptado às condições de vida impostas pelas características geográficas da planície costeira marinha e pelo sistema lagunar. Suas canoas devem ter singrado as águas das lagunas e os rios regionais, por todos os recantos, vasculhando aquela homogênea região geográfica. Os homens dos sambaquis constituíram ali, uma civilização de canoeiros e um grupo humano conchófago e ictiófago por excelência. ”

Pequeno parentese.

Tive sorte também, de trabalhar como tripulante na maior canoa que já naveguei, Tocorimé Pomatojari.

Construído na amazônia, após navegar até Paraty, resolveu também fazer aqui de porto seguro.

Foi uma grande escola de vela oceânica. Viagens entre Rio de janeiro; Ilha Grande e Paraty, com grupos de visitantes estrangeiros.

Conheci muitos marinheiros e capitães, inclusive um tcheko que construiu o próprio barco com amigos e deu a volta ao mundo, mas quando chegou em Paraty, claro que se apaixonou;

Pela cidade e por sua companheira. Nunca mais saiu de Paraty. Ah! o amor…

Isso é uma outra história que um dia ainda vou contar, Mika sua hora vai chegar!

E hoje em dia, sempre que remamos, vemos cenas que remetem a tudo que venho trazendo aqui:

Canoas lançando a rede e tirando a rede do mar; a vida de milhares de pessoas que continuam vivendo do mar, seja como transporte ou como subsistência e que precisam manter suas tradições, cultura e a defesa de seu território ancestral.

Os caiçaras pertencem ao mar e o mar pertence a eles.

Voltamos então ao início do texto, tem ou não tem nada para fazer, vá remar!

O Trajeto

Enfim, com a experiência de 16 anos e muita história na cabeça, vamos falar um pouco de cada trecho que é possível fazer a remo e com distâncias; locais para pernoitar e onde comer.

No caminho, quem se propuser a remar, vai entender a riqueza da cultura Paratiense e que o verdadeiro patrimônio da UNESCO, é o povo que mora aqui.

Antes de falar sobre a remada em si, tenho alguns lembretes:

  • Respeite a cultura local;
  • Assim também, o ritmo de vida local;
  • Pratique a economia solidária;
  • Retire lixo do mar e carregue seu próprio lixo;
  • Não acampe em praias selvagens;
  • Igualmente, respeite as regras da APA Marinha.

Segurança:

  • Altamente recomendado um curso de canoagem oceânica.
  • Sempre remar nos horários mais cedo possível
  • Acompanhe a previsão do tempo e ventos. Assim como, Fuja do Sudoeste!
  • Veja a tábua de maré. Acredite em Paraty faz toda a diferença.
  • Não se arrisque com equipamentos que não sejam feitos para este fim.
  • Trechos fora da Ponta da Juatinga, podem não ter área de escape em caso de mau tempo ou qualquer outra necessidade;
  • Deixe um amigo ou familiar avisado sobre o seu roteiro, passo a passo, ou contate os profissionais de canoagem oceânica de Paraty. Eles podem te dar apoio e alugam equipamentos profissionais também;
  • Tenha certeza de que sabe desembarcar em praias com onda.
  • Os trajetos propostos, são ilustrativos.
  • Por fim, as distâncias foram mapeadas seguindo este trajeto e servem de base para quem quiser fazer por partes, somente um trecho ou mudar o local de parada.

Refeições

Os anfitriões de cada comunidade são experts. Casa limpa, aconchegante e as refeições são feitas com frutos do mar frescos, pescados por eles mesmos. Aproveitem! Essa parte é deliciosa.

A travessia:

1º Trecho Tarituba – Ilha do Araújo – 18 Km

Foto do site vai Paraty

Saída da vila de Tarituba. Local fácil de chegar e desembarcar os equipamentos.

Abra os olhos, local de grande passagem de botos e golfinhos.

Entre Tarituba, além de todas as praias e ilhas paradisíacas, vale a parada nas ilhas:

Ilha do Pelado – único local com restaurante

Ilha do Cedro

Ilha Ventura

Chegando na Ilha do Araújo, indicamos casas de moradores para pernoitar e saborear uma comida típica caiçara.

Éder 999587395

2º Trecho Ilha do Araújo x Praia Vermelha – Média de 18 km

Água cristalina na baia de Paraty – ilha do Malvão – Paraty – Paraty Explorer

Ilhas da Baia de Paraty.

Neste trecho, use sua criatividade e vontade de explorar. Pode remar até a cidade de Paraty ou explorar as praias e ilhas ao redor.

Chegando na praia vermelha, indicamos o Happy Hamock, para pernoitar e refeições

Patrick 024 998671246

Temos um passeio neste trecho: http://paratyexplorer.borapiloto.com.br/?tour-item=passeiodecaiaque

3º trecho Praia Vermelha x Saco do Mamanguá – Media 20 km

Ilhas da baia de Paraty

Neste trecho além de lindas ilhas no caminho, indicamos explorar:

O Saco do Fundão

Ilha da Cotia

Paraty Mirim – restaurante na praia

Chegando no Mamanguá, indicamos remar pelo lado direito de quem entra e ficar em casas de moradores.

Sr. Berti e sua esposa, são excelentes anfitriões, além da boa comida.

Ficam em cima do restaurante do Dadico, bem conhecido da região

Sr. Berti tem um rancho, onde pode guardar os equipamentos.

Após jantar, indicamos ir até a praia, ver o fenômeno da foto luminescência na água (https://pt.wikipedia.org/wiki/Fosforesc%C3%AAncia)

Sr. Berti 024 999995349

4º Trecho – Mamangua x Pouso da Cajaíba – Média 20 km

Trecho que começa a ficar um pouco mais exposto as intempéries. Vento principalmente, precisa checar bem a previsão e conversar com os pescadores da região.

Além de todo o Saco do Mamanguá, para explorar, indicamos parar:

Praia Grande da Cajaíba – Restaurante e banho de cachoeira

Chegando na praia do Pouso da Cajaíba, existem diversas opções de casas para alugar.

Indicamos o Zorro 24 998444441

ou o Ananias 24 999862060

5º Trecho – Pouso da Cajaíba x Ponta Negra – Média 25 km

Agora a remada começa a ficar séria e precisa ter certeza que dá conta dessa travessia. Além de checar muito bem a previsão do tempo e bater papo com os pescadores antes de sair.

É uma parte muito exposta da travessia, passa pela Ponta da Juatinga, local de fortes correntezas e ondulações grandes. Local em grande parte das vezes sem parada. Realmente uma travessia até Ponta Negra.

Além da linda costeira e natureza abundante, indicamos parar:

Martins de Sá – muita atenção, praia com ondas, precisa ser mar muito calmo ou saber desembarcar em praia de onda.

Lembrando sempre da segurança, vejam previsão do mar. Praias com ondulação.

Chegando na praia da Ponta Negra, indicamos ficar em casa de moradores. O Teteco é um excelente anfitrião, além de lindos chalés, tem um restaurante a beira mar que serve uma comida maravilhosa

Teteco 024 99991 8382

6º Trecho – Ponta Negra x Trindade – Média 18 km

As praias de Mar aberto.

Saindo da Ponta Negra, podem fazer paradas em algumas das praias mais lindas de Paraty.

Praia dos Antigos e Antiguinhos

Praia do Sono – Boa opção para Almoço

Praia Brava de Trindade

Onde ficar: https://paratytrindade.com.br/

Referências:

Previsão do Tempo: https://www.cptec.inpe.br/previsao-tempo/rj/parati

Fotoluminescência: (https://pt.wikipedia.org/wiki/Fosforesc%C3%AAncia)

Hans Staden: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/hans-staden.htm

Feitio da canoa Caiçara: http://nupaub.fflch.usp.br/sites/nupaub.fflch.usp.br/files/DOSSI%C3%8A%20IPHAN%20V14.pdf

Tocorimé Pamatojari: https://www.google.com/search?sxsrf=ALeKk00AzrjeSTJFfHWOU6atEWp5lHurqw:1598577065232&source=univ&tbm=isch&q=tocorim%C3%A9+pamatojari&sa=X&ved=2ahUKEwjA3fnQ27zrAhXBILkGHdSAD_8QsAR6BAgLEAE&biw=1600&bih=789

APA Paraty – http://www.paraty.rj.gov.br/apa-paraty-informacoes-gerais

Fórum das Comunidades Tradicionais: https://www.preservareresistir.org/single-post/2018/10/23/Rede-Nhandereko-cartilha-experi%C3%AAncias-nacionais-tbc

Antonio Alves Camara, “Ensaio sobre as construções navaes indígenas do Brasil”, 1937:231- 232.

Homens dos Sambaquis: Registros socio geo linguísticos em São Sebastião: A presença do elemento indígena e a influência do português colonizador”, 2010, citando AbSaber & Besnard, 1953:220.

Escrito por:

Rodrigo Pereira de Almeida

Guia de turismo e sócio fundador da Paraty Explorer

Deixe uma Resposta